Estou do lado de fora, olhando a cena pela janela.
A chuva que agosto trás e que cai sobre o meu rosto, serve como lágrima. Essa não vida me fez ganhar muitas coisas... e perder muitas outras.
Essa deve ser a primeira vez, em algum tempo, que sinto uma dor tão mortal, porque pior que a dor da morte a é dor de ser esquecido.
Não entendia isso muito bem quando aconteceu, por isso não doía tanto.
Às vezes, quando fecho os olhos, tenho vagas lembranças da minha participação numa cena parecida com essa, que observo em silêncio.
É hora de ir, a imortalidade tem seu preço e não me dá tempo para nostalgia.Porém ao deixar as sobras faço questão de deixar a luz mostrar minha face por um único segundo e vou embora. E durante a minha partida gosto de acreditar que ele saiu procurando algo que pensou ter visto, mas prefiro não olhar para trás, para não me decepcionar.
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